quarta-feira, 30 de junho de 2010

Aos milhares

Quanto vale a passagem aos quartos de final?
Não estou a falar da alegria inesgotável e incondicional do nosso nobre povinho português, que esquece a malvada crise, as diárias manifestações e os-políticos-que-são-uma-vergonha, cada vez que a "nossa" grande equipa entra em campo (ou durante todas as 12h diárias em que sabemos notícias sobre o estado do respirar dos "nossos" jogadores).
Não estou a falar do orgulho, do sonho, do valor futebolístico que gannhariam os 23 jogadores da selecção de futebol ao continuarem no campeonato mundial.
Estou a falar "apenas" dos 50 mil euros que cada um desses 23 jogadores ganharia se passasse à próxima fase.
Atenção! Isto não é mais uma opinião contra os grandes salários no futebol profissional, os quais percebo, visto que são pagos por entidades privadas numa indústria de lucros monumentais.
Isto sou eu, chateada com 1.150.000€ que iriam sair do dinheiro dos contribuintes directamente para 23 pessoas. Uma pequena motivação, dirão, para os pobres trabalhadores de futebol e representantes do país nessa área tão importante.
Perderam. Oh!
Não faz mal, o nosso país rico e próspero pagou-lhes 800€ diários desde o estágio na Covilhã.
Uns míseros 38.000€ para cada jogador.
E, aqui, nesta situação ridícula e de dinheiros públicos, torna-se necessário voltar à comparação com os salários (públicos) mínimos e médios de Portugal. Mas claro, o futebol faz as massas felizes, e é só!
Bom, o que interessa é que qualquer português, pobre ou rico, pode ter chorado p'la "nossa" selecção (aposto que até mais pobres do que ricos) e teria ficado imensamente feliz se "continuássemos" na competição.
Por mim, ainda bem que perderam.
23 pessoas perderam muito dinheiro, vários milhões pouparam algum.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

SCUT

Tanta discussão sobre a falta de alternativas, os pobres dos utilizadores, os direitos adquiridos agora usurpados pelo mauzão do Governo.

Mas será que destruiram as estradas nacionais ou equivalentes?
Será que se esquecem que os utilizadores das travessias do Tejo pagam diariamente e desde sempre portagens?
Será que se sempre tivessem pago estas SCUT agora reclamavam e buzinavam menos?
Já chega, senhores.

Saramago

Quem o lia antes era acusado de intelectual ou pseudo-intelectual.

Hoje, quem não gosta de o ler é que se acha o verdadeiro intelectual.
Lá está, ir contra o rebanho, nem sempre é sinónimo de liberdade.

Ch-ch-ch-changes

Mudança sim, mas não tanta.

Chateia-me visceralmente a necessidade que hoje existe de matar o teatro clássico em nome de uma evolução para o espaço conceptual, abstracto, livre, sem sentido.
Não me chateiam as performances que não querem dizer ou fazer sentir nada, não gosto, mas não chateiam porque não penso nelas. Agora, não venham é chamar-lhes teatro.
A não esquecer, para uma amante como eu, daquilo que é sentir o teatro:

- As coisas más, não passam a ser boas só porque são assumidas.

- Estar nu, já não é chocante, portanto, sem justificação torna-se apenas inútil e desnecessário, chato, aborrecido, repetitivo.

- O público não é uma opção, é fundamental ao Teatro. O não interesse em passar uma mensagem ou em fazê-lo sentir, é apenas egoísta e fácil.

- Os actores, adereços e cenários podem ser bonitos e glamorosos, porquê a necessidade actual em mostrar que o actor de teatro é aquele que se desprende dos bens materiais, da moda e do dinheiro? Ao querer afastar-se das imagens de divas do espectáculo, cria-se hoje a ideia de que para ser artista, é preciso não ter o mínimo de preocupação com a aparência. A diferença em vez de ser uma liberdade, torna-se hoje numa obrigação.

- A palavra, o texto, a personagem, não são apoios ao "teatrinho", são instrumentos do sentir, do mostrar, do representar que fazem do teatro o que é e sempre foi. São trabalho, ao contrário de um conjunto de performances de 10 minutos, que hoje em dia chega para construir uma peça.

- Shakespeare, Molière, Tchecov não são piadas antigas das quais os verdadeiros artistas actuais têm que se desprender. Como aliás devem desprender-se de tudo, visto que basta estarem em frente ao público em silêncio, nus talvez, para serem os melhores artistas do ano para os novos intelectuais, que percebem sempre toda e qualquer mensagem, mesmo que o artista não tenha sequer pensado numa.

O teatro vai muito para além de qualquer Praga, de qualquer um de nós, de qualquer tempo. Isto que agora se aprecia como espectáculo total, cheira apenas à explosão de fanicos interiores que todos nós às vezes temos, mas apenas alguns decidem que o resto do mundo terá interesse em apreciá-los.